“Não podemos nos curar do que não aceitamos como parte de nós mesmos.” (Freud)
uma reflexão sobre as partes de nós que tentamos esquecer e como a análise pode ajudar a dar lugar ao que ainda dói. #psicanálise #psicanaliseclinica #textoipsicanalise #inconsciente #sintomaspsiquicos #repetição #inconscienteativo #processoterapeutico #elaboração #autoconhecimento #subjetividade
Paloma O. Anaya
1/16/20261 min read


“Não podemos nos curar do que não aceitamos como parte de nós mesmos.” (Freud)
Freud nos lembra que não há possibilidade de cura enquanto algo da nossa própria história continua excluído, afastado ou negado.
E, na clínica, vemos diariamente como essa frase se encarna nas vidas das pessoas.
Ao longo da vida, aprendemos, muitas vezes sem perceber, a censurar partes de nós.
Rasgamos páginas inteiras que parecem perigosas demais para serem lembradas.
Pedaços de história que consideramos vergonhosos, inadequados ou simplesmente insuportáveis.
Mas aquilo que é arrancado não desaparece.
O que não encontra lugar na narrativa consciente costuma retornar de outras maneiras: nos sintomas, nos padrões que se repetem, nas escolhas que parecem acontecer “sozinhas”.
O sintoma, nessa perspectiva, não é um inimigo.
Ele é uma tentativa às vezes a única possível naquele momento de preencher o vazio deixado pelas páginas rasgadas.
Onde falta história, o sintoma escreve.
Onde não há palavra, ele insiste em aparecer.
Por isso, muitas repetições dolorosas não cessam simplesmente com força de vontade.
Elas retornam porque representam aquilo que ainda não pôde ser simbolizado.
A psicanálise não busca eliminar sintomas à força, nem ensinar alguém a rasgar ainda mais páginas.
Ao contrário: é um trabalho de reintegração, de devolver à história aquilo que precisou ser colocado para fora para que o sujeito pudesse sobreviver.
É quando essas partes esquecidas, censuradas ou temidas encontram novamente lugar na narrativa, que o sintoma finalmente pode se desfazer, não porque foi combatido,
mas porque já não precisa ocupar o espaço do que estava em branco.
Talvez você também tenha páginas que preferiu não ler.
Capítulos que pareciam grandes demais para encarar.
Se algo na sua vida tem se repetido, retornado ou insistido, pode ser que essas partes estejam pedindo justamente isso: um lugar para existir.
A terapia pode ser o espaço onde elas, enfim, podem ser lidas e reintegradas.



