Tristeza sem explicação? A história de Camila pode ser parecida com a sua

Se você também sente que carrega um silêncio antigo demais, que não foi ouvido, nem por você mesmo, saiba que existe espaço para que ele seja acolhido. A terapia psicanalítica pode ser esse lugar. Um espaço onde você não precisa provar nada. Só existir. E, quem sabe, finalmente respirar.

Paloma O. Anaya

9/16/20251 min read

Camila sempre foi aquela que sorria nas fotos. Sempre prestativa, sempre presente. Mas havia dias em que tudo nela parecia ausente. Como se sua alma estivesse atrás de um vidro espesso, e só o corpo comparecesse ao mundo. Sentia culpa por não estar "bem" e muitas vezes ficava em silêncio por não conseguir explicar o que sentia.

Camila carregava um passado que ninguém via, e muitas vezes nem ela conseguia nomear. Estava exausta e sem esperança.

Na psicanálise, especialmente a partir das ideias de Ferenczi, aprendemos que esse sofrimento muitas vezes não nasce de um evento só, mas de experiências emocionais profundas, vividas sem possibilidade de serem simbolizadas. Situações traumáticas, como não se sentir amada, reconhecida ou acolhida, podem ser engolidas sem elaboração, criando uma espécie de "cripta psíquica" um espaço interno onde o trauma permanece vivo, mas silenciado.

Ferenczi nos ensina que certos pacientes, como Camila, precisam mais do que apenas contar sua história em terapia, eles precisam reviver as emoções sufocadas, mas agora em um espaço seguro, onde o sofrimento não seja negado ou minimizado. Onde a escuta esteja ali, mesmo quando faltam palavras. Onde o silêncio também seja reconhecido como fala.

É somente quando há tempo, presença e, acima de tudo, respeito pelo que você carrega em silêncio que esse cenário pode mudar. Não é sobre consolar com frases prontas ou dizer o que você deve sentir. É sobre estar ali com você, mesmo quando você ainda não sabe como colocar em palavras.

Foi apenas quando Camila buscou ajuda que algo começou a mudar. Na terapia ela encontrou um espaço onde pôde ser ouvida de verdade, sem pressa, sem julgamentos. Aos poucos, com confiança e vínculo, começou a respirar diferente. Como alguém que estava tempo demais submerso e, ao emergir, respira fundo pela primeira vez. Talvez, pela primeira vez, viva.